segunda-feira, 16 de abril de 2012

Turismo precisa ser visto com melhores olhos na Região Central do Paraná


Sempre escutamos que o turismo é melhor atividade econômica atual, mas pouco importa em algumas regiões

Entrevista oferecida por Sergio Ruz, jornalista - gestor de negócios, secretário de Turismo da Câmara de Indústria e Comércio do Mercosul e Américas. a grupos de estudantes acadêmicos da UNICENTRO, Universidade do Centro Oeste do Paraná, dos cursos de Comunicação e jornalismo do Campus Universitário Santa Cruz de Guarapuava e Turismo do Campus Universitário Irati.  




Foto Arquivo: Aula Magna de Sergio Ruz, na UNICENTRO em 2011 para os cursos de Ciências Econômicas, Administração, Secretariado Executivo e Serviço Social.        






Turismo...
Para ninguém é mistério que o Turismo é a atividade econômica que mais movimenta outras atividades econômicas neste planeta, representando a segunda economia do mundo com 10% do PIB (Produto Interno Bruto) mundial é dizer tudo o que o mundo produz e vende. Tanto assim que tem força para fazer andar sua cadeia produtiva com 57 atividades diferentes. Aproveitando uma série de interrogantes que me foram passadas por notáveis empresários vamos falar claramente que falta para que a atividade aconteça em Guarapuava e Região.



Guarapuava na tríplice fronteira com os municípios de Turvo e Prudentópolis, no Paraná, possui um dos ícones do turismo regional no Parque São Francisco da Esperança, que inclui em um grande complexo natural, dentre os maiores atrativos o Salto São Francisco, o quinto maior salto do Brasil com seus imponentes 196 metros de altitude de água em queda livre, o equivalente a um edifício de 60 andares.         







Tendo o Turismo um poder tão grande para gerar renda, emprego e qualidade de vida porque ainda não acontece em nossa região?...
Infelizmente muito pouco tem saído do papel no contexto geral do Turismo. Ainda não temos a condição em dizer francamente que Guarapuava e Região estão aproveitando suas condições naturais como cidades turísticas por vários fatores:
Primeiro, a falta de interesse real do setor público, especialmente das prefeituras municipais, que só fazem coisas para que o povo veja e acredite que se está desenvolvendo algo, mesmo que não exista nenhum critério para isso, pela falta de secretários ou diretores na área que realmente entendam, enquanto também falta a preocupação do próprio setor privado que é o maior beneficiado.    
Segundo visível falta da vontade política do próprio Estado que não coloca pessoas técnicas capacitadas que ajudem aos municípios na formatação de um verdadeiro roteiro ou destino turístico que integre uma operacionalidade e agenciamento junto a especialistas. E terceiro a conscientização da população sobre a importância do Turismo como gerador de grandes oportunidades de negócios.






Um show de natureza em todos os aspectos pode ser visto na região Centro do Paraná.     






Temos estrutura suficiente para criar condições em ser um Destino Turístico de verdade?...
Eu poderia afirmar que um estrutura básica já existe, em primeira linha temos cenários de natureza fascinante, um clima extremamente agradável, especialmente para aproveitar no Turismo do Frio, existem caminhos gerais para alcançar os diferentes pontos. Somente faltaria dar uma estruturação melhor aos próprios pontos turísticos, mantendo eles extremamente limpos, protegidos de todas as formas e colocar em cada um deles guias turísticos ou pessoas capacitadas para poder mostrar da melhor forma os atrativos gerais. Não em vão intitulamos localmente Guarapuava, como “Terra de Paisagens” e a região como “Região Serrana do Paraná” bem longe do nome que atualmente é assinalado oficialmente pelo governo estadual para nossa lindíssima região de Estradas e Caminhos que em marketing turístico não diz praticamente nada.    




Os grandes lagos, extensos alagados, lagoas naturais e artificiais de águas represadas, são sem dúvida algumas interessantes motivos para novos atrativos. Um verdadeiro marco de decoração natural de água pode ser encontrado no município de Pinhão.   








Que temos a fazer para que o turismo realmente funcione?...
Muito por fazer no caso de nossa região, primeiro devemos elaborar um plano estratégico que constituía um roteiro primário a ser colocado no mercado, seja de forma local, regional, estadual. Sabendo exatamente onde queremos chegar e de recursos dispomos para alcançar o objetivo. Logo realizar um marketing agressivo, que mostre claramente a qualidade do destino, com seus diversos atrativos mostrando o diferencial que significa passear em nossa região, é dizer colocar em evidência ela. Temos que entender que o turista tem que saber que vai encontrar e as característica do lugar.





A região é detentora de alguns dos mais lindos pôr do sol, com seus espetáculos românticos e inspiradores, no meio de incrível e bela natureza.      













O período para ser produzido o roteiro será muito longo?...
Não existe período longo existe um trabalho a ser realizado, enquanto mais rápido começar tanto melhor. Para uma resposta mais clara vamos lembrar um relato contado por um dos meus professores... Certa vez nos jardins do imperador Napoleão estava sentado um oficial responsável do lugar, e jardineiro que cuidava os jardins se aproximou e diz: “senhor, o que quer que eu plante agora, naquele canto?... o oficial responde-lhe que plantasse determinada árvore. Ao que o jardineiro exclamou, mas, senhor essa árvore leva cem anos para crescer!... Então aconselhou o oficial, é bom que você plante já!...


No município de Pitanga, podem ser encontradas as  paisagens primitivas do Caminho do Peabiru, uma antiga rota incaica que unia a região com a Cordilheira dos Andes e o Rastro do Apóstolo São Tomé, que representam hoje um desafio para os amantes dos mistérios e vestígios culturais.  








Caminhar com passo firme...
Temos muito caminho pela frente, mas, enquanto mais rápido comecemos em menor tempo poderão ser alcançados os resultados. Se não fizermos nada outros passaram rapidamente em nossa frente. E não é questão do poder público, também deve ser de interesse de toda a cidadania. Todos têm que estar cientes da qualidade da atividade turística e engajados nos projetos, principalmente as empresas, indústrias, comércios e serviços. Sobretudo, se deve estar preparado para que aqueles que viram de fora e são ausente das iniciativas locais, saibam mais acerca da cidade ou região.  

Participação de empresários...
É importante que os empresários, não somente do trade turístico, entendam perfeitamente que eles cumprem um papel importante na estratégia de desenvolvimento da atividade.

Empregos...
Não se trata somente de captar alguns empregos, o turismo deve ser visto exatamente pelo que ele é... o maior gerador de emprego, uma verdadeira indústria da criatividade e da emissão de trabalho. Para conhecer melhor que se pode fazer, uma boa ação é ter noção sobre outros locais turísticos dos diversos estados brasileiros, que encontraram sua verdadeira vocação na atividade. Para isso é bom participar em Feiras Exposições de Turismo, considerando contatos com autoridades de município com características idênticas, que permitam aumentar a visibilidade sobre o próprio destino, sendo o melhor exemplo no Brasil Sul a cidade de Gramado, que comemora neste momento a recepção de 3,6 milhões de turista ano. 



Sergio Ruz na época como secretário municipal de Turismo de Guarapuava e presidente da ADETUR, Agência do Desenvolvimento do Turismo da Região Centro do Paraná, junto ao prefeito municipal de Gramado-RS, Pedro Bertolucci e o secretário de Turismo, Alemir Coletto. .        





Inserção
É importante que os empresários da cidade ou região sejam inseridos diretamente nas promoções de marketing locais para a produção do turismo. No instante que os lideres municipais devem mostrar fora da cidade e região o destino com todos seus atrativos, e não esperar sentado em um gabinete que as coisas ocorram como é o habitual.

O trade...
Sem dúvida alguma o trade turístico deve ser absolutamente atuante: hotéis; restaurantes; lanchonetes; postos de combustíveis; clubes sociais; centros de eventos; igrejas; empresas de transporte; agências de viagens; comércios em geral; sindicatos profissionais; produtores rurais; criadores de diversos tipos de gado; estabelecimentos de ensino superior, etc... Essa é apenas uma fórmula com os segredos dos grandes destinos, para que o turismo local e regional comece a funcionar. Outra ação é apenas mais um discurso político. 

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